Conhecimento que nasce da vivência
Educação para fortalecer autonomia, cognição e movimento ao longo do envelhecer.
Este slogan nasce da minha própria trajetória. Pela classificação brasileira, encontro-me hoje na chamada “extra vida”: tenho 78 anos e me aproximo dos 79 cronológicos. Falo, portanto, a partir da perspectiva de quem vive esse processo no cotidiano do envelhecer.
Existem dois conceitos fundamentais sobre longevidade. Se você já buscou informações sobre envelhecer, é bem provável que tenha se deparado com eles.
O primeiro, mais antigo, é o da Expectativa de Vida, conhecido em inglês como Lifespan. Ele se refere ao número de anos que uma pessoa vive, do nascimento até a morte. Nesse modelo, o foco está no tempo vivido, independentemente da qualidade desses anos. Estar vivo é o principal indicador, ainda que com perda de autonomia, independência ou funcionalidade.
O segundo conceito, mais atual, é o da Longevidade Saudável, ou Healthspan. Aqui, o olhar se amplia: não basta viver mais, é essencial viver melhor. Entram em cena o estado de saúde, a autonomia, a independência e a capacidade funcional necessárias para sustentar a vida cotidiana com segurança.
É dentro dessa visão contemporânea que se insere a Proposta Educativa Menegatti para Eficiência Cognitiva e Motora em Pessoas Idosas. Uma proposta construída a partir da experiência, do estudo e da prática, que entende a pessoa idosa como um todo, protagonista do seu próprio processo de envelhecimento.
Nossa expectativa é que cada pessoa seja protagonista e agente ativo da sua saúde e do seu bem-estar. Nesse contexto, a eficiência cognitiva e motora é o primeiro aspecto que consideramos, de forma integrada, como base para sustentar autonomia, preservar independência e ampliar possibilidades ao longo do envelhecer.
Como propomos essa autonomia?
A experiência vem primeiro. A Proposta Educativa Menegatti nasce dela. Em primeiro plano, trazemos informações atualizadas sobre a biologia do envelhecimento humano — não como teoria distante, mas como autoconhecimento biológico, capaz de orientar escolhas mais conscientes no dia a dia.
A proposta é simples e, ao mesmo tempo, profunda: compreender quais pilares biológicos estão ao nosso alcance e aprender a gerenciá-los de forma autônoma, sem dependência de nada nem de ninguém para acessá-los e colocá-los em prática. Falamos de alimentação, sono, atividade física e do gerenciamento inteligente dos agentes estressantes presentes na vida sociocultural de cada um de nós.
Nos aspectos de alimentação, sono e estresse social, seguimos as orientações dos especialistas de cada área, sempre com um critério claro: tudo precisa ser autogerenciável. Aquilo que está ao meu alcance, ao seu alcance, ao alcance de qualquer pessoa. Escolhas possíveis, práticas e sustentáveis. Eu escolho. Eu decido. Eu realizo.
Atividade física
É aqui que entra a minha área de atuação mais direta. Trabalhei com condicionamento físico de alta performance em contextos competitivos profissionais de nível mundial no voleibol, entre 1970 e 1992. A partir daí, fiz uma escolha consciente: ajustar todo esse conhecimento — aplicado com resultados reconhecidos internacionalmente — para a promoção da saúde e do bem-estar da maior parte da população.
Em 2005, ao completar 58 anos, decidi direcionar minha atenção e meus recursos para estudar a biologia do envelhecimento. Um caminho que sigo até hoje e pretendo seguir enquanto puder, buscando compreender esse processo cada vez mais profundamente. Cabe dizer que, aos 78 anos, estou cursando uma pós-graduação em Gerontologia.
Mudanças na forma de pensar a atividade física
As mudanças propostas aqui seguem esse mesmo sentido. A atividade física deixa de ser um fim em si mesma e passa a ser um meio para alcançar eficiência na autonomia e na independência cognitiva e motora. Antes de qualquer prescrição, trata-se de um plano pessoal. Sim, pessoal. Lembro que estou prestes a completar 79 anos.
O que compartilho aqui nasce da prática, da observação contínua e das escolhas que faço para mim mesmo. São mudanças profundas, algumas delas realmente radicais em relação ao modelo tradicional de atividade física, e que vou dividir aos poucos nas próximas publicações desta página.
Seguimos juntos.
Até breve — com mais saúde, bem-estar, autonomia e independência.










